7 de outubro de 2012

Resenha "De repente, nas profundezas do bosque" de Amós Oz

Atenção! Essa resenha contém spoilers.

Isso e mais, todos nós sem exceção nos assustamos às vezes e até mesmo ficamos apavorados, e às vezes todos ficamos cansados, ou com fome, e cada um de nós gosta de certas coisas e detesta outras, que nos inspiram temor e aversão. Além disso, todos nós sem exceção somos sensíveis ao extremo. E todos nós, pessoas répteis insetos e peixes, todos nós dormimos e acordamos e de novo dormimos e acordamos, todos nós nos empenhamos muito para que fique tudo bem para nós, não muito quente nem frio, todos nós sem exceção tentamos a maior parte do tempo nos preservar e nos guardar de tudo o que corta, morde e fura. Pois cada um de nós pode ser amassado com facilidade. E todos nós, pássaro e minhoca, gato menino e lobo, todos nós nos esforçamos a maior parte do tempo em tomar o máximo cuidado possível contra a dor e o perigo, e apesar disso, nós nos arriscamos muito sempre que saímos para correr atrás de comida, atrás de uma brincadeira e também atrás de aventuras emocionantes.

O livro conta a história de uma vila cercada por um bosque, que em uma noite, todos os animais somem. Todos acreditam ter visto Nehi, o demônio das montanhas naquele dia e guiados pelo medo, ninguém mais entra no bosque porque o demônio pode levá-los. Depois que eu colega vai para o bosque, ele volta com uma doença do relincho, mas curiosos, Maia e Mati entram no bosque para se aventurar e lá encontram muitas coisas que jamais imaginaram que encontrariam, inclusive o demônio das montanhas.

Eu tenho certeza de que muita gente que vai ler esse livro vai detestar, mas eu gostei bastante dele. Por ser uma leitura obrigatória da escola, eu realmente achei que seria chato e confuso, mas essa obra é muito fofa, sério. Na realidade, a história é bem ridícula, mas se você começa a ler com um olhar mais profundo, você vê que cada coisa, no contexto que se encontra, possui um significado. Talvez na hora você não perceba o que algo quis dizer, mas depois, se você para e pensa, acaba descobrindo. A capa também é muito bonita. Eu amei as cores, o desenho, tudo. Tanto que quando eu peguei esse livro na biblioteca, a primeira coisa que eu comentei com a bibliotecária foi o quão linda era aquela capa. É totalmente possível ler o livro em uma sentada, porque ele é fino (140 páginas), a margem é grande e a letra também. Eu pelo menos li em 1 ou 2 dias.

Algo inovador na história, que eu nunca tinha visto antes, foi que o autor não dá um super ponto final na história, do tipo que você lê e nunca mais vai imaginar o que vai acontecer. Sempre você se perguntará o que vai acontecer com o Nimi, se Mati e Maia voltarão para o bosque, se o Nehi algum dia voltará para a cidade na luz do dia, o que realmente vai acontecer. Fica um super ponto de interrogação na sua cabeça, mas não é ruim isso, pois o autor te permite imaginar, criar, dar o final que você queira pra história. Foi uma leitura maravilhosa, além de que a narrativa, por mais chata que a obra seja para algumas pessoas, é uma delícia. Não é um livro que te prende do começo ao fim, sem parar, pois eu acho que o objetivo do autor ao escrever o livro, não foi o de você engolir de uma vez só, mas sim de "degustar" cada página.

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